C A F É C U L T U R A L

CHAFARIZ DAS SARACURAS - Ipanema, Rio
Chafariz das Saracuras, de Mestre Valentim, na Praça General Osório, volta a ter ornamentos



Publicada em 13/06/2008 às 19h28m - O Globo Online


RIO - A secretaria municipal de Meio Ambiente concluiu a restauração e reinaugurou nesta sexta-feira o Chafariz das Saracuras, de autoria de Mestre Valentim, na Praça General Osório, em Ipanema. A obra, no valor de R$ 180 mil, devolveu ao monumento suas dimensões originais e seus ornamentos em bronze - tartarugas e saracuras - roubados em 2006.
Durante a inauguração, moradores e alunos da E. M. Marília de Dirceu participaram de oficinas educativas de incentivo à preservação ambiental e respeito ao patrimônio público e cultural. Técnicos da secretaria destacaram a importância de resgatar a memória da cidade através da conservação de monumentos como o Chafariz das Saracuras, obra do século XVIII que chega ao século XXI conforme criado por Valentim em 1795, uma verdadeira testemunha das transformações urbanas ocorridas no Rio de Janeiro.

Descobertas levaram à ampliação do projeto

Durante as obras, foram descobertas partes abaixo do nível do solo, cerca de 60 cm escondidos pelas sucessivas elevações da área urbana e, a existência de grandes blocos de pedra ainda intactos. Isso fez com que o projeto tivesse que ser ampliado para a restauração integral do monumento. A idéia inicial era apenas recuperar a bacia em cantaria e reparar os equipamentos elétricos e hidráulicos.
A nova proposta inclui a confecção de réplicas das peças roubadas anteriormente e a criação de peixes no local. O símbolo da coroa portuguesa em mármore de Lioz e as tartarugas e saracuras em cobre voltam a verter água e o deque sobre o espelho d'água foi removido para proteger as peças. O Chafariz das Saracuras poderá ser apreciado nos horários das 8h às 10h, das 12h às 14h e das 18h às 20h. A aeração da água é vista também como uma forma de impedir a formação de focos de mosquitos.

A história do chafariz

O Chafariz das Saracuras é uma obra do Mestre Valentim, feita em 1795, época do Brasil Colônia. Ela foi transferida em 1917, do Convento da Ajuda, no Centro, para a Praça General Osório, em Ipanema. A peça, utilizada pelas freiras para lavagem de roupas, louças e abastecimento do convento, foi tombada pelo IPHAN em 1938. Originalmente tinha a bacia de cantaria ornamentada por quatro tartarugas e quatro saracuras de bronze.
Em 1998, as tartarugas foram roubadas, o que levou a prefeitura a recompor o monumento com réplicas confeccionadas a partir de fotos das originais. Em 2006, em novo ataque, uma tartaruga e uma saracura foram roubadas. O restante dos ornamentos foram encontrados dentro de um saco, num canto escondido do jardim e foram encaminhados à guarda da Fundação Parques e Jardins.

* Matéria publicada no site www.oglobo.globo.com/rio/mat/2008/06/13/chafariz_das_saracuras_de_mestre_valentim_na_praca_general_osorio_volta_ter_ornamentos-546789828.asp



Conjunto Urbano da Vila de Iguassu-Ofício INEPAC para o AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL


Vila de Iguassu-década de 1970-acervo do Arquivo Histórico da Diocese de Nova Iguaçu


LANÇAMENTO DE LIVRO - C O N V I T E


Em parceria com o FÓRUM CULTURAL DA BAIXADA FLUMINENSE, comunicamos o lançamento do livro "UMA VIAGEM A IGUASSU ATRAVÉS DA CARTOGRAFIA", de autoria de Edson Ribeiro, membro fundador e pesquisador do AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL FLUMINENSE, a ser realizado no sábado de 04 de dezembro de 2010, no Auditório do MERITI-PREVI, em Vilar dos Teles, São João de Meriti.

O evento contará com a realização de duas palestras e apresentações culturais por artístas da Baixada Fluminense. Enviaremos nos próximos dias os convites por e-mail. Solicitamos que ao recebê-los e puderem comparecer, por favor, envie-nos uma mensagem ou nos telefone confirmando presença.

Cordialmente,

Paulo Clarindo
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL FLUMINENSE
(21) 9765-6038 ou 2333-1412 ou 2656-9810
amigosdopatrimonio@gmail.com
www.amigosdopatrimoniocultural.blogspot.com
Atualizando nossos contatos:

amigosdopatrimonio@gmail.com

CLARINDO
(21) 9765-6038 ou 2333-1412 ou 2656-9810

EDSON RIBEIRO
(21) 98623036

Professor LACERDA
(21) 9569-0938

VICTOR ANTUNES
(21 9969-4555

Professor GUILHERME PERES
(21) 9392-2669

FÁBIO SOUZA
(21) 8817-8813 ou 7510-9333 ou 9847-8111

FURMAN
(21) 9251-4753

JUBER DECCO
(21) 9634-3163

NELSON ARANHA
(21) 9998-3197

EDGAR CARVALHO
(21) 9230-6760 ou 7158-1588
Rio de Janeiro – A vida na belle époque carioca



A arte marca presença no Palácio das Laranjeiras, por onde passaram de líderes da política mundial a cantores da bossa nova



Neste palácio carioca bem século 19, onde estilos se misturam, do Luís XIV ao rococó e do Império ao art nouveau, inspirado no Cassino de Mônaco de Charles Garnier (o arquiteto da Ópera de Paris), muito de nossa história republicana foi vivida, escrita e desenhada. Hoje, o Palácio das Laranjeiras é um bem tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado do Rio de Janeiro.

Suas fachadas, salões e varandas, com vitrais coloridos de Charles Champigneulle, frisos de mármore com desenhos de bronze, pisos de mosaico com arabescos, lambris marchetados, colunas de mármore rosa da Holanda, candelabros de ferro fundido, guarda-corpos de ferro forjado, estátuas de Emile Guillaume, medalheiros (cômodas altas e menos profundas) de André Charles Boulle, o ebanista de Luís XIV, e uma cópia da escrivaninha que foi de Luís XV em Versalhes, nos transportam à belle époque e a um clima típico fin de siècle.

Ali, entre paredes e tetos com afrescos de Georges Picard, pinturas de Frans Post e Nicolas-Antoine Taunay, um retrato de Luís XIV feito por Hyacinthe Rigaud e outro do Conde de Londres por Joshua Reynolds, dormiram e foram velados presidentes da República, hospedaram-se autoridades estrangeiras, assuntos de Estado foram discutidos e também muito se jantou e se dançou.

Foi no Laranjeiras que o vice-presidente Café Filho se refugiou quando Vargas se matou; e onde Juscelino morou enquanto Brasília era construída. Já João Goulart instalou por lá um consultório odontológico e viveu a angústia de seus últimos dias antes do golpe militar. Na sala Regência, Costa e Silva anunciou, em 1968, o AI-5, de triste memória, e, um ano depois, no mesmo lugar, teve seu corpo velado. Já Leonel Brizola – que no palácio recebeu índios xavantes encantados com o que viam – reclamava dos bois representados nas pinturas murais por não se parecerem com os de sua fazenda no Uruguai.

Mistura de gêneros. O palácio foi construído nas primeiras décadas do século 20 pelo empresário Eduardo Guinle ao sopé de uma colina que desliza em direção ao mar, em terras que, em 1808, Carlota Joaquina comprou e não pagou –em meados do século 19, elas pertenceram à Inglaterra, mais tarde ao Conde Sebastião do Pinho e, finalmente, no início do século 20, passaram às mãos de Eduardo Palassin Guinle. Os Guinles, de origem e hábitos franceses e que se afirmaram no Rio como grandes empresários, iniciaram fortuna vendendo artigos europeus na Rua da Quitanda – onde tinham a loja Aux Tuileries.

Eduardo Guinle, que da Europa onde estudou voltou cheio de ideias inovadoras, convocou para a obra o arquiteto Armando da Silva Telles. Este, apesar de misturar gêneros e épocas, com uma planta bastante funcional, soube dar uma atitude modernista ao imóvel de dois andares e três corpos: central, residencial e de serviço. Ele não dispensou as clássicas escadarias ladeadas por gigantescos leões de mármore e as diferentes fachadas que “olham” para a uma bela vista. Mesmo assim, tratou de adicionar à propriedade um lindo elevador – o primeiro da América Latina –, geradores, estufa e um recinto para preservação de mantimentos.

Eduardo casara-se em 1905 com Bianca de Paula Ribeiro, que, depois da morte do marido, em 1942, seguiu, com alguns de seus filhos, vivendo no palácio até 1946, quando o presidente Dutra o adquiriu para a Nação por 27,5 milhões de cruzeiros (moeda criada um ano antes).

Como o governo já tinha o Palácio do Catete, o Laranjeiras, com seus telhados decorados com quimeras e águias de bronze em cada esquina, jardins com fontes e estátuas imortalizando deuses mitológicos, foi destinado à hospedagem de autoridades estrangeiras. O presidente do Chile, Gabriel González Videla, em 1947, foi o primeiro visitante oficial recebido no ainda chamado Palácio Guinle. Além de cumprir os rituais de praxe, como oferecer um jantar ao presidente brasileiro, recebeu para um baile a sociedade local. De acordo com os jornais da época, as mulheres não economizaram nos brilhantes, rendas e veludos, mas dias depois foi preciso o Itamaraty publicar um apelo “às pessoas que, por engano, levaram peles e manteaux trocados, no sentido de que sejam devolvidos às proprietárias”. A mesma nota advertia que ninguém tentasse usar ou vender os agasalhos desaparecidos, pois a polícia e as lojas especializadas já haviam sido notificadas.


Atrás de orquídeas. Harry Truman, o presidente dos Estados Unidos que veio ao Brasil difundir sua doutrina contra o avanço do comunismo, foi a segunda autoridade estrangeira a dormir no palácio. Em foto do acervo da Biblioteca Truman nos Estados Unidos, ele ali aparece, ao lado de Dutra, sob o retrato de Luís XIV – o símbolo do absolutismo francês. Faz parte do anedotário que, encantado com nossas orquídeas, ele resolveu subir atrás delas a encosta do Corcovado, sendo detido por guardas florestais que não o reconheceram.

Meses depois, chegaria o governador geral do Canadá, um marechal inglês. Em 1953, foi a vez do ditador do Peru, Manuel Arturo Odría, conhecido como o “Perón dos Andes”, que depois surpreenderia a todos ao convocar eleições em seu país. Devido a uma greve de garçons, a festa que ele ofereceu a Getúlio Vargas não teria se realizado sem o socorro dos taifeiros e cozinheiros da Marinha. Anastasio Somoza, da Nicarágua; Camille Chamoun, do Líbano; Craveiro Lopes, de Portugal; Charles de Gaulle, da França, e o Papa João Paulo II estão entre os muitos outros que ali foram recebidos.

Anos de fato dourados no palácio foram os de JK. Nos inícios da bossa nova, Benê Nunes, Nat King Cole, Louis Armstrong, The Platters, Pixinguinha e Ataulfo Alves tocaram, cantaram e se encantaram com o piano de cauda Steinway, pintado por Aristide Cavaillé que tem pés de talha dourada e fica no centro do salão de música. Kim Novak, Marlene Dietrich, David Niven, Fidel Castro, apesar da suntuosidade do décor, ali também se sentiram à vontade.

Durante o regime militar, o Laranjeiras foi a residência oficial dos presidentes brasileiros no Rio de Janeiro, até que Ernesto Geisel, ao fundir os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, decidiu transformar o local em residência oficial do governador. Nessa qualidade, o primeiro morador foi o indiretamente eleito Almirante Faria Lima. Chagas Freitas, Moreira Franco, os Garotinhos e Benedita também viveram neste mesmo endereço. Outros governadores, como Marcelo Alencar e, atualmente, Sérgio Cabral, preferindo seguir em suas casas próprias, mantiveram o palácio à disposição do presidente da República.


Estas e outras histórias estão no belo livro Palácio das Laranjeiras, editado pela Topbooks (247 págs., R$ 119), com fotos de Pedro Oswaldo Cruz e textos de Beatriz Coelho Silva e Christine Ajuz, por encomenda do governador Sérgio Cabral, que, no prefácio, além de fazer justiça ao rigoroso trabalho de restauração realizado por dona Zoé Chagas Freitas em 1980, promete que, durante sua gestão, o palácio será “palco somente de eventos que, de fato, honrem a liberdade e os valores democráticos”. ( www.mariaignezbarbosa.com ).

Fonte: www.defender.org.br/rio-de-janeiro-a-vida-na-belle-epoque-carioca/

Nossos contatos:


CLARINDO (Amigos do Patrimônio Cultural)


(21) 9765-6038 ou 2261-0012 ou 3880-4257 ou 2656-9810