Preservação do Patrimônio Cultural do Café na Região Sudeste do Brasil
Fazenda de Santo Antonio de Olaria. Cópia do palácio do Podestá de Bréscia, uma das muitas residências do Comendador Joaquim Breves. Demolida para a construção da represa de Ribeirão das Lages - Light. São João Marcos -1927-www.brevescafe.oi.com.br.



Rio de Janeiro, 20 de maio de 2011
Ilmª Srª
Olga Campista
Subsecretária de Relações Institucionais/SEC
Secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro


Senhora Subsecretária.


Cumpre-me a satisfação de levar ao conhecimento de V. Sa. a proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, através da Portaria nº 165, de 04/05/2011, da criação de um Grupo de Trabalho Interinstitucional que deverá promover ações em auxílio àquele órgão federal na salvaguarda e valorização “dos bens culturais vinculados ao processo econômico do café entre os séculos XIX e XX na região Sudeste”.
É oportuno esclarecer que a rubiácea teve seus primórdios na Cidade do Rio de Janeiro, quando aqui chegaram em 1760 ou 1762 as primeiras mudas trazidas pelo Desembargador João Alberto de Castelo Branco. Em pouco tempo, nos arredores da cidade produzia-se café de forma considerável. Pode-se dizer com segurança que o Rio de Janeiro foi o celeiro dessa cultura, com suas mudas sendo irradiadas para outras áreas – Zona Oeste carioca, Baixada Fluminense, municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, entre outros -, até chegarem ao Vale do Paraíba fluminense, onde se adaptaram às condições do solo e do clima, rendendo vultosas produções. Aliás, praticamente em todo o interior fluminense plantava-se café. De tão importante que foi essa cultura na antiga Província do Estado do Rio de Janeiro, que a Real Junta de Comércio, na primeira metade do século XIX, determinou a construção de uma estrada destinada a escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba e de Minas Gerais, que ficou conhecida por Estrada do Comércio, que ligaria Ubá, na Província de Minas Gerais, ao Porto da Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu, na Baixada Fluminense. Foi concluída em 1822, passando pela Serra do Tinguá, onde está situada a Reserva Biológica do Tinguá. Seu calçamento ainda está intacto no interior da daquela unidade de conservação e ainda pode ser visto em alguns trechos da região. Além disto, encontra-se tombada pelo Estado (INEPAC).

Na época da cultura cafeeira, a Estrada do Comércio foi tão importante econômicamente para a província que a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassu prosperaria a ponto de ser elevada à Vila de Iguassu, aos 16 de janeiro de 1833, e, anos posteriores, seria considerada pela Presidência da Província “a mais opulenta das vilas fluminenses”. Caminhando neste sentido, o professor e pesquisador Antônio Lacerda é categórico ao afirmar que embora Iguassu não tenha produzido café em larga escala, muito prosperou com o transporte e o armazenamento do mesmo. Prova disso fora a presença constante dos seus homens de negócios nas edições do Almanak Laemmert, entre eles, os fazendeiros e comerciantes Antônio José Soares (o Comendador Soares), o Comendador Bernardino José de Souza Mello (proprietário da Fazenda São Bernardino), Pedro Dias Pais Leme da Câmara (Marquês de são João Marcos), o 2º Barão do Tinguá (Francisco Pinto Duarte), o Barão do Guandu (Inácio Antônio de Sousa Amaral), entre outros.
Comendador Joaquim José de Souza Breves, o "Rei do Café" no Brasil Imperial. Coleção IHGB - (1804-1889). www.brevescafe.oi.com.br


Retornando à questão dos objetivos do Grupo de Trabalho Interinstitucional a respeito do patrimônio cultural do café, é importante destacar que há bem pouco tempo o Estado do Rio de Janeiro, de certa forma, contribuiu para esse estudo com a realização pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC, em parceria com o SEBRAE-RJ, do projeto denominado “Inventário dos Caminhos Singulares do Estado do Rio de Janeiro”, contemplando os caminhos do ouro, do açúcar, do café e do sal, quando foram inventariados diversos bens culturais ao longo dos mesmos. Mais recentemente, o INEPAC, em parceria com o Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV) e contando com o apoio do Instituto Light, realizou as primeiras etapas do “Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense”, trabalho que ainda prossegue. Enfim, creio que o citado órgão de patrimônio cultural antecipou-se, sem querer, ao que está sendo proposto pelo IPHAN. Por outro lado, confesso que muito mais poderá ser feito no âmbito do Estado do Rio de Janeiro para que a aludida resolução federal alcance os seus objetivos. Este, portanto, é o meu pensamento mais sincero.
Na oportunidade, queira receber os meus mais cordiais cumprimentos.

Cordialmente,

Paulo Clarindo
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL


[meioambientecultural] Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café



De: Marcos Miranda

Data: 12 de maio de 2011 09:59

Assunto: [meioambientecultural] Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café



Iphan quer preservar o patrimônio cultural do café

Roseli Ribeiro - 11/05/11 - 23:36

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) quer criar medidas para preservar o patrimônio cultural do café na região sudeste do País, para a missão instituiu um grupo de trabalho conforme a Portaria nº 165 publicada no DOU (Diário Oficial da União) em 06/05.

De acordo com o texto, o café produzido entre meados do século XIX e final do XX em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi um marco na história econômica e social brasileira, refletindo-se em todo o processo de estruturação e urbanização da região sudeste, e que a preservação dos remanescentes materiais associados a este processo econômico têm importância nacional como patrimônio cultural brasileiro.
Participaram deste grupo de trabalho pelo menos um representante e um suplente do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan; das Superintendências Estaduais do Iphan nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo; do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT); do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA); do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC); da Subsecretaria Estadual de Patrimônio Cultural do Estado do Espírito Santo; da Universidade de São Paulo (USP); da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), do Instituto Preservale e da Associação de Fazendas Históricas Paulistas.

Veja a íntegra da Portaria nº 165/2011.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL

PORTARIA nº 165, de 04 de maio de 2011

Cria o Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre o Patrimônio Cultural do Café da região sudeste do Brasil.
O PRESIDENTE DO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL – Iphan, no uso de suas atribuições que lhe são legalmente conferidas, tendo em vista o disposto no art. 21, V, do Anexo I do Decreto nº 6.844, de 7 de maio de 2009, que dispõe sobre a Estrutura Regimental do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, considerando:
Que o café produzido entre meados do século XIX e final do XX em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi um marco na história econômica e social brasileira, refletindo-se em todo o processo de estruturação e urbanização da região sudeste, e que a preservação dos remanescentes materiais associados a este processo econômico têm importância nacional como patrimônio cultural brasileiro.
A realização, em agosto de 2010 do primeiro Encontro Técnico sobre o Patrimônio Rural do Café, realizado nas dependências do Museu Paulista, em São Paulo;
Que o evento contou com a participação de técnicos, especialistas e pesquisadores do Iphan, dos órgãos estaduais de preservação do patrimônio cultural e de universidades convidadas, além de membros da sociedade civil organizada, engajados na preservação do patrimônio cultural do café dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro; e
Acatando os encaminhamentos sugeridos pelos participantes ao final do evento resolve:
Art. 1º Criar o Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre o patrimônio cultural do café nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio e Janeiro.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 2º O grupo será formado por pelo menos um representante e um suplente do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan; das Superintendências Estaduais do Iphan nos estados de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo; do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT); do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA); do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC); da Subsecretaria Estadual de Patrimônio Cultural do Estado do Espírito Santo; da Universidade de São Paulo (USP); da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), do Instituto Preservale e da Associação de Fazendas Históricas Paulistas.
§1º Os membros das instituições externas ao Iphan integrarão o grupo a partir de convite formalizado pelo Presidente do Iphan.
§2º Os representantes do Depam serão designados pelo respectivo diretor e das superintendências estaduais pelos respectivos superintendentes.
§3º Outros pesquisadores, profissionais, técnicos ou interessados, internos ou externos ao Iphan, poderão ser convidados a integrar ao grupo a qualquer tempo, mediante convite do Presidente do Iphan.
§4º A qualquer tempo, havendo interesse ou necessidade, o grupo poderá solicitar ajuda ou consultoria a especialistas, pesquisadores e técnicos externos ao Grupo de Trabalho, mesmo que extraoficialmente.
§5º O Depam coordenará e acompanhará as atividades desenvolvidas pelo grupo.
§6º As reuniões de trabalho serão acompanhadas por uma secretaria, que se responsabilizará pelas Atas de Reunião de Trabalho e pelos devidos encaminhamentos das mesmas.

CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 3º O grupo tem como objetivos:

I – dar subsídios ao Iphan e demais órgãos de preservação do patrimônio cultural, para a proteção, a conservação e a valorização dos bens culturais vinculados ao processo econômico do café entre os séculos XIX e XX na região sudeste.
II – buscar, para cada estado, a melhor estratégia de complementação e continuidade dos inventários, buscando estreitar a parceria entre órgãos de proteção do patrimônio cultural e universidades e ampliar as alternativas de financiamento dos inventários.
III – propor projetos de difusão do conhecimento, através de publicações, dos diversos canais de comunicação e de ações educativas, envolvendo escolas e comunidades locais.
Art. 4º O grupo organizará sua atuação segundo três Eixos de Ação:
I – Eixo 1: Proteção do patrimônio cultural do café.
II – Eixo 2: Investimentos e sustentabilidade econômica dos bens culturais do café.
III – Eixo 3: Produção e difusão do conhecimento.



CAPÍTULO III
DAS ATRIBUIÇÕES

Art. 5º O Iphan e os órgãos estaduais de preservação do patrimônio cultural envidarão todos os esforços, técnicos, logísticos e financeiros, possíveis e/ou necessários, para a consecução das ações de inventário, proteção, conservação e valorização do patrimônio cultural do café.
Art. 6º Os membros das universidades viabilizarão, na medida do possível, recursos técnicos e científicos necessários para a realização, complementação e revisão de estudos e inventários sobre o tema, mantendo as informações e o conhecimento produzido à disposição dos demais membros do grupo e da sociedade.
Art. 7º A sociedade civil organizada, prestará o apoio necessário aos órgãos de preservação e às universidades, viabilizando, sempre que possível, a coleta de informações, vistorias, levantamentos fotográficos, arquitetônicos e acesso às comunidades.
Art. 8º A difusão e socialização do conhecimento produzido pelas ações desenvolvidas pelos participantes do grupo é responsabilidade de todos.
Art. 9º O grupo produzirá plano de trabalho anual e relatórios mensais de monitoramento e acompanhamento das ações propostas.
Art. 10. A participação do Grupo de Trabalho não implicará em pagamento de honorários ou adicional de remuneração aos membros ou eventuais convidados externos.

CAPÍTULO IV
DA VIGÊNCIA E DO AFASTAMENTO

Art. 11. O grupo de trabalho atuará por dois anos, renováveis por mais dois, a partir da data de publicação desta Portaria no D.O.U.
Art. 12. O presente Grupo de Trabalho poderá ser dissolvido, a critério do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan, ou de comum acordo entre os seus integrantes, a qualquer tempo.
Art. 13. Qualquer participante poderá deixar o grupo, sem prejuízos para o andamento dos trabalhos, mediante apresentação de justificativa do seu desligamento, a qual integrará os relatórios semestrais.

CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.






































O INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) realizou ontem, dia 30 de abril, uma grande festa nas dependências da sua Sede, no Calundu, Belfor Roxo, para comemorar o CINQUENTENÁRIO da instituição. Estiveram presentes na ocasião a Diretoria e o  corpo técnico do instituto, autoridades, diversas personalidades, professores, historiadores, estudantes e moradores do bairro.

Foram entregues diplomas de associados beneméritos a pesquisadores do IAB e a algumas pessoas que contribuíram para o sucesso da instituição e o seu reconhecimento nos cenários estadual e nacional. Durante o evento, foi lançado o livro "O CASTELO (QUE NUNCA FOI) DA MARQUESA DE SANTOS", de autoria dos professores Ondemar Dias Jr. e Jandira Neto.







INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA - IAB comemora CINQUENTENÁRIO dia 30 de abril de 2011


O INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) comemora no próximo dia 30 de abril, também "DIA DA BAIXADA FLUMINENSE", o seu 50º aniversário, ou seja, meio século de atuação em território nacional e no Exterior. sem sombra de dúvidas, o IAB é uma instituição bastante amadurecida e experiente no que faz.

Parabéns ao IAB pela passagem dos seus lúcidos cinquenta anos de existência e atividades. São os votos do AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL FLUMINENSE.

Read more: www.arqueologiadigital.com/profile/PAULOCLARINDO#ixzz1IP4CKp5m


CLARINDO
www.amigosdopatrimoniocultural.blogspot.com
(21) 9765-6038

Professor Claro Calazans rodrigues e professor Ondemar Dias apresentado as ânforas gregas descobertas na Baía da Guanabara em 1975-Manchete - fev, 1978











F A Z E N D A   D O   B R Á S   D E   P I N A

Precisamos localizar uma pessoa chamada NAIR DO ESPÍRITO SANTO COSTA, que assinou um comentário a respeito da Fazenda do Brás de Pina em nosso blog no dia 23 do corrente. Por favor, entre em contato conosco.

Cordialmente,

Paulo CLARINDO
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL
amigosdopatrimonio@gmail.com
(21) 2333-1346 ou 2333-1412 ou 9765-6038 ou 2656-9810
F A Z E N D A   D A    B I C A

A T E N Ç Ã O

Precisamos localizar uma pessoa chamada CRISTINA, do Seminário Teológico da Zona Oeste, que postou um comentário no dia 24 do corrente a respeito da FAZENDA DA BICA no nosso blog. Por favor, entre em contato conosco por e-mail ou por telefone.

Cordialmente,

CLARINDO
amigosdopatrimonio@gmail.com
(21) 2333-1346 ou 2333-1412 ou 9765-6038 ou 2656-9810


Prezados Amigos.

Ao efetuarem comentários sobre nossas postagens, solicitamos, por gentileza, que informem seus telefones e e-mail's para posterior contato.

Cordialmente,

Paulo CLARINDO
Amigos do Patrimônio Cultural Fluminense
(21) 9765-6038 ou 2333-1346 ou 2333-1412
Capela, depois, Matriz de N. S. da Piedade de Iguassu


Igreja de N. S. da Piedade de Iguassu-início do Séc. XX-reprodução acervo Victor Antunes



Paulo Clarindo

Amigos do Patrimônio Cultural

Janeiro de 2011




A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Iguassu, sede da freguesia de mesmo nome, tem sua origem numa ermida levantada no século XVII, antes do ano de 1699, numa propriedade particular. Posteriormente, fora submetida a três reedificações, já como matriz da freguesia, num sítio pouco afastado da primitiva construção, como veremos a seguir.

1ª construção (capela primitiva)


A primitiva capela sob o orago de N. S da Piedade de Iguassu fora erguida antes do ano de 1699 em terras pertencentes ao alferes José Dias de Araújo.


2ª construção (1ª reedificação)


Arruinada a capela primitiva, Monsenhor Pizarro nos conta que o povo resolveu reedificá-la, porém, “...em um lugar um pouco distante da primeira e em terras do mesmo dito alferes e já de Diogo Dias de Araújo, filho daquele...” . Esta nova capela fora feita de pau a pique.


3ª construção (2ª reedificação)


Esta, que representa a 2ª reedificação do templo, fora executada com a capela-mor em pedra e cal, entre os anos de 1764 e 1766, mas com as paredes ainda de pau a pique.

Monsenhor Pizarro relata uma intervenção na igreja, quando “...chegaram as suas paredes, também de pedra e cal, até a altura de mais de uma braça fora dos alicerces...”

Antes de tratarmos da 4ª e definitiva construção (3ª reedificação), abordaremos alguns relatórios da Presidência da Província do Rio de janeiro tratando da necessidade de reedificação da Matriz de N. S. da Piedade de Iguassu.


Relatórios da Presidência da Província do Rio de janeiro



1839


Relatório do presidente Paulino José Soares de Souza (Visconde de Uruguai em 1854) propondo a reconstrução da nova matriz sobre as ruínas da anterior. Consta a informação de que até esta data a torre ainda não havia sido construída.


1853


Relatório do presidente Luiz Pedreira do Couto Ferraz (Visconde do Bom Retiro) recomendando a construção de uma nova matriz, agora mais próxima da povoação, transferindo-se a sede da freguesia para o centro da Vila de Iguassu, uma vez que a matriz encontrava-se “...arruinada e não ter sido concluída...”


1857


Relatório da Presidência da Província nomeando uma comissão para angariar recursos com vistas à construção da nova Matriz da Piedade no centro da vila, “...visto como a matriz atual, além de se achar em quase completo estado de ruína, é situada em um lugar ermo e fora da povoação...”

Ainda em 1857, segundo Ribeiro, “...o relatório do vice-presidente informava que já havia sido adiantada uma quantia para reforma da Matriz de ‘Iguassu’ e seu novo cemitério ” .


1858


O Relatório da Presidência da Província desse ano menciona o início da construção da nova matriz. Esta, sim, representou a 4ª e definitiva construção (3ª reedificação), sendo que no mesmo local onde foram construídas as duas anteriores, ou seja, onde atualmente encontra-se a torre sineira.

Tendo por base suas amplas pesquisas que resultaram na excelente obra “Uma viagem a Iguassu através da cartografia”, Edson Ribeiro acredita que a 4ª e definitiva construção da igreja (3ª reedificação) tenha ocorrido em 1858. E por coincidência, no mesmo ano em que era inaugurada a Estrada de Ferro Dom Pedro II. As obras podem ter iniciado em 1856.

1888

No ano em que se daria a Abolição da Escravatura, seriam liberados recursos para reforma da Matriz de Iguassu. Ribeiro acredita que essa tenha sido a última intervenção na igreja, dando-lhe “...as formas que vemos nas fotos tiradas no início do século XX” .

Algumas considerações acerca do Sítio Histórico da antiga Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu

1. Monsenhor Pizarro, nas suas “Visitas Pastorais”, de 1794, nos informa que havia ao redor da Matriz da Piedade de Iguassu “31 casas térreas, 1 de sobrado (residência do vigário) e 1 com meio sobrado no sótão”, formando uma praça. Além disso, ele menciona que “...todas, à excessão de 3, são cobertas de telhas, e fazem perspectivas de um bonito arraial” .

2. A proposta de elaborarmos em parceria com o Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB/Capão do Bispo um projeto de sondagem, prospecção e salvamento arqueológicos desse sítio histórico, tem como objetivos a descoberta e evidenciação do local exato onde fora edificada a capela primitiva da Piedade de Iguassu, além de identificarmos as sucessivas reconstruções da matriz e a dita praça com suas casas, mencionadas por Pizarro.

3. Outro fato que nos deixa intrigados e curiosos é o cemitério da Vila de Iguassu, dito “N. S. do Rosário”, que data de 1875. Antes os enterramentos da freguesia eram feitos na Igreja Matriz? Há uma pequena informação extraída das “Visitas Pastorais”, de Monsenhor Pizarro, que dá a entender que as irmandades seriam responsáveis pela maioria das sepulturas no seu interior, assim como era de costume durante todo o período colonial a inumação dentro das igrejas, conforme nos explica Rodrigues:

“As práticas de sepultamento eclesiástico foram trazidas e


instituídas nas terras brasileiras pelo colonizador, sendo


adotadas pela maioria da população até meados do século


XIX. Estiveram vinculadas à prática, cristã e ocidental,


cuja base era a familiaridade existente entre os vivos e seus


mortos, expressa na inumação no interior da comunidade,


mais propriamente dentro do espaço das igrejas. Esta


familiaridade assentava-se numa relação de vizinhança


cotidiana entre os habitantes e as sepulturas. Ao


freqüentarem as igrejas, pisavam, caminhavam, sentavam e


oravam sobre seus mortos, a todo o tempo sentindo seus


odores, expressando uma determinada sensibilidade olfativa


resultante da fé existente na sacralidade dos sepultamentos


eclesiásticos” .


Ruínas do cemitério e torre sineira - acervo Amigos do Patrimônio Cultural – setembro, 2010

Analisando a história da capela, e depois Matriz da Piedade, mesmo que com pouquíssimas informações, dá a entender que a mesma atravessou longos períodos aguardando por reparos ou reedificação. Como realizaram sepultamentos ao longo dos anos levando-se em conta a precária situação física da igreja? Acreditamos que tenha existido um cemitério para atender sua população, bem antes da construção do que hoje encontra-se em ruínas em Iguaçu Velha. Seguindo esta linha de raciocínio, Ribeiro traz ao nosso conhecimento que o Relatório da Vice Presidência da Província, de 1855, “...informava que já havia sido adiantada uma quantia para reforma da Matriz de ‘Iguassu’ e seu novo cemitério ” . Essa informação reforça nossa hipótese da existência de um cemitério anterior ao atual em ruínas. Seu local pode ter sido atrás da matriz ou no mesmo lugar do arruinado – N. S. do Rosário (1875). O “novo cemitério”, mencionado no Relatório de 1855, pode ser este.

4. Monsenhor Pizarro informa que a pia batismal da igreja fora feita de pedra na própria freguesia.

5. A Igreja de N. S. da Piedade de Iguassu fora edificada com frente para SSE e fundos para WNW.

6. Não sabemos em que ano a torre foi construída.

7. Com relação ao livro de Max Vasconcelos – “Vias Brasileiras de Comunicação” -, publicado pela primeira vez em 1927, traz na sua edição de 1947 (a 6ª e última) a informação de que da igreja só restava a torre sineira . Ribeiro conclui que as fotografias da igreja mostrando-a ainda de pé, mas em processo de arruinamento, devem ser anteriores ao ano de 1947. Quem é o autor das fotos? Onde estão os originais?

8. A população da Vila de Iguassu por volta de 1840 – cerca de 1.200 habitantes, segundo Daniel Kidder, citado por Rodrigues.

9. A população da Vila de Iguassu em 1858 – cerca de 2 mil habitantes, segundo Charles Ribeyrolles, citado por Rodrigues.

10. Ribeiro acredita que o “desaparecimento” de Iguassu deve-se à epidemia de Cólera, além da construção da E. F. Grão Pará (Barão de Mauá) em 1854 e de outros caminhos utilizado para escoar a produção da região de Serra Acima.

Torre sineira da Igreja de N. S. da Piedade do Iguassu-acervo do autor
 
NOTAS
 
[1] O grifo é nosso.

[2] Visitas Pastorais de monsenhor Pizarro, de 1794, PP. 49, 50. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 92.

[3] Visitas Pastorais de monsenhor Pizarro, de 1794, PP. 49, 50. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 93.
 
[4] Relatório do presidente da Província do Rio de Janeiro Luiz Pedreira do Couto Ferraz, 1853,p. 30. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 94.

[5] Relatório da Presidência da Província do Rio de Janeiro de 1857,p. 84. Apud RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[6] O grifo é nosso.

[7] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[8] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 96.
 
[9] PIZARRO, Monsenhor. Visitas Pastorais de 1794. Apud. RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 93.

[10] Na Freguesia de N. S. da Piedade de Iguassu, segundo Monsenhor Pizarro, existiram quatro irmandades: do Santíssimo Sacramento (1751), de São Miguel (1757), de N. S. do Rosário dos Pretos (1730) e de N. S. da Conceição dos Homens Pardos (1782).

[11] RODRIGUES, Cláudia. Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura (Coleção Biblioteca Carioca,v. 43),1997, p. 21.

[12] O grifo é nosso.

[13] RIBEIRO, Edson. Uma Viagem a Iguassu através da cartografia. Duque de Caxias: Edição do autor, 2010, p. 95.

[14] Idem, p. 96.