Maxambomba

Catedral de Santo Antônio de Jacutinga,
N. Iguaçu, de Roberto Sô-www.panoramio.com


Maxambomba é o nome de um mecanismo de tração, operado sobre um ou dois trilhos, utilizado na época do Brasil colonial pelos senhores de engenho para assentar uma carga com segurança sobre a embarcação destinada para fazer o transporte fluvial da produção do Engenho. O mecanismo de grua permitia locomover para baixar a carga sobre a canoa chalana, observando o centro de gravidade da embarcação para a distribuição uniforme do peso da carga, evitando que o carregamento gerasse oscilações que pudessem acidentalmente lançar a carga ao rio durante o carregamento.




Assim vemos que um mecanismo de grua serviu para nomear o rio que atravessava as terras do Engenho Maxambomba. Este rio Maxambomba era chamado de Apeterei, pelos índios Jacutingas (antigos donos da terra). Apeterei, em tupi-guarani significa "Rio do meio", e está canalizado sob os quarteirões situados entre as ruas Luis Guimarães / Nilo Peçanha e a rua Otávio Tarquínio. A Serra de Madureira (serra do Engenho do Madureira) também foi denominada de Serra de Maxambomba (serra do Engenho Maxambomba). O Rio Maxambomba, nasce na Serra de Maxambomba e atravessa as terras do antigo Engenho Maxambomba e era designado como Apeterei (Rio do Meio), porque localiza-se entre dois Rios maiores: Rio das Botaes (Riachão) e o Rio Caxoeira (atual Rio da Prata).

Uma canoa de fundo chato, conhecida como chalana ou chalupa, era o transporte mais apropriado para navegar o talvegue raso do curso d´água (um afluente de rio) utilizado pelo engenho como via fluvial para transporte.

A produção do Engenho Maxambomba escoava através de um portinho existente no rio da Prata, afluente do rio Sarapuí. O carregamento também seguia através do rio Maxambomba, principalmente quando o rio da Prata estava obstruído por árvores caídas ou desmoronamentos das margens o que provocava assoreamento acidental.

A produção de cana-de-açúcar, seguia diretriz de Portugal para o Brasil Colônia. As raízes fracas e finas da cana provocam a erosão dos terrenos desmatados e o conseqüente assoreamento dos rios. Porque, ao ser desmatada a terra e removidas as árvores com raízes fortes que seguravam a terra, substituídas pelo plantio da cana, com raízes fracas e finas que não seguravam a terra, que consequentemente era levada pelas chuvas torrenciais e depositadas no fundo dos rios, sedimentando-os e diminuindo-lhes a profundidade.

Através do portinho existente no rio Maxambomba, a produção escoava até o Porto dos Saveiros (em Tinguá) ou via rio da prata até o Porto do rio Sarapuí, onde era reembarcada em saveiros ou faluas, embarcações maiores, com destino ao Cais dos Mineiros, no Rio de Janeiro (que situava-se ao lado do Arsenal de Marinha, na rua Primeiro de Março)

Para carregar as chalanas o Engenho contava com dois portinhos fluviais, um deles localizava-se no atual Bairro da Vila Nova (instalado no rio da Prata), o outro existia à montante do rio Maxambomba (atual centro de Nova Iguaçu). Na periferia do Engenho Maxambomba, ao redor do portinho do rio Maxambomba, gradativamente foi-se assentando um pequeno comércio, seguido por um pequeno núcleo populacional que foi prosperando até se transformar num pequeno Arraial denominado por Arraial de Maxambomba.

Assim na periferia das terras do Engenho Maxambomba nasceu o Arraial Maxambomba. Desenvolveu-se e prosperou ao redor do portinho que existiu próximo a atual Rua Floresta Miranda. O transporte fluvial e maritimo foi utilizado até 1728 quando o Caminho do Tinguá, foi concluído pelo Mestre de Campo Estêvão Pinto. Este caminho que ficou conhecido como Caminho de Terra Firme, fugia da planície inundada e pantanosa para transpassar a muralha da Serra do Mar a caminho das "minas". Este caminho passava no antigo Engenho Maxambomba, de propriedade de Martim Corrêa Vasques. O Caminho de Terra Firme foi o único que deixou vestígios, pois, sobre parte de seu percurso foram assentados, em 1858, os trilhos da da Ferrovia D. Pedro II, (atual Central do Brasil).

O Engenho de Maxambomba (localização exata de onde situava-se o engenho: latitude 22°45'36.69"S longitude 43°25'59.90"W) integrava a jurisdição (distrito) da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga. No século XVII o Engenho Maxambomba surgiu em razão do desmembramento do Engenho de Santo Antônio de Jacutinga, localizado nas terras da antiga Aldeia dos índios Jacutingas. A sesmaria do Engenho Santo Antônio foi concedida pelo Governador Cristóvão de Barros, para um de seus Capitães, de nome Belchior de Azeredo, homem de confiança de Cristóvão de Barros que era o quarto governador do Rio de Janeiro. O Engenho ficou séculos nas mãos da família Azeredo, passando para José de Azeredo e seu filho Antônio de Azeredo (descendentes de Belchior), até ser desmembrado e extinto no século XIX, com as terras integradas ao Engenho do Brejo (Belford Roxo) e Engenho Maxambomba (Nova Iguaçu).

No século XVII o Engenho Maxambomba era propriedade de Salvador Correia de Sá e Benevides, neto paterno de Salvador Correia de Sá (o Velho), que era o maior latifundiário do Rio de Janeiro, dono de vários engenhos e de mais de setecentos escravos, e que foi Governador do Rio de Janeiro por três mandatos intercalados. Ele morava na rua Direita, atual Primeiro de Março. Na primeira metade do século XVIII pertenceu a Martim Corrêa Vasques, na segunda metade do mesmo século o Engenho Maxambomba passa para o Padre José Vasques de Soiza, cujo irmão inteiro era o capitão Manuel Correia Vasques, proprietário do Engenho Caxoeira (atual município de Mesquita). Ambos eram descendentes diretos de Salvador Correia de Sá e Benevides, de Mem de Sá e de Estácio de Sá.

A Sede colonial do Engenho Maxambomba situava-se no cume da alta colina cuja encosta setentrional localiza-se, atualmente, o Bairro Califórnia e cuja encosta meridional está assentado o Bairro da Vila Nova. A sede do Engenho Maxambomba estava 1,65 km (1/4 de legoa) de distância da Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga (atual Igreja da Prata). A localização é dada com exatidão por Monsenhor Pizarro, no relatório das suas visitas pastorais no ano de 1794. Ele descreve com clareza solar a direção do Engenho (poente) e a equidistância, em léguas, levando em consideração, como ponto de partida, a atual Igreja de Santo Antônio da Prata, que em 1794 era a Matriz de Santo Antônio de Jacutinga (Localização da atual Igreja de Santo Antônio da Prata = Latitude: 22°45'38.68"S e Longitude: 43°24'56.99"W).

Escravos fugitivos do Engenho Jacutinga, Engenho do Brejo e do Engenho Maxambomba, utilizavam o leito do rio da Prata para chegar às encostas da Serra Maxambomba (atual Serra do Madureira), onde no atual bairro do K 11 fundaram o quilombo de Cauanza. K 11 é uma corruptela de Cauanza, o nome africano do Quilombo.

Os pequenos rios, vias fluviais que serviam os Engenhos foram perdendo sua capacidade de manter talvegue apropriado para serventia e em razão de assoreamentos, obstruções, contínuo desmatamento das margens, gradativamente foram substituídos por estradas ou carreteiras (estradas para carroças). Também em razão do desenvolvimento.

www.pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Igua%C3%A7u

4 comentários:

geise disse...

poh isso num e uma pesquisa isso e um livro

Carlos Lima Castro disse...

Interessante comentar que a percepção da população residente às margens do Rio Maxambomba é de que é um valão de esgotos. A parte que foi canalizada e coberta, no centro da cidade, torna inexistente a sua percepção, que aliás só aflora quando das inundações recorrentes.

AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL disse...

Muito agradecido pelo seu comentário, Carlos.

Abraço,

CLARINDO
AMIGOS DO PATRIMÔNIO CULTURAL
pauloclarindo@gmail.com
(21) 2216-8500

Paulo Mata-Machado disse...

Excelente explanação,Clarindo: parabéns! Essa "cultura" que infelizmente grassa no país, de tamponarem os rios é uma desgraça!